sábado, 12 de dezembro de 2009

O Dia da Bíblia


Para se falar um pouco a respeito deste, que é o livro mais conhecido e distribuído no mundo, o maior Best Seller escrito até hoje, que se encontra traduzido em partes em mais de 2212 línguas e dialetos, das 6500 línguas e dialetos falados no mundo. (A Bíblia inteira só está traduzida em cerca de 300 línguas), torna-se fundamental que mencionemos algumas particularidades a respeito deste, que é o “livro por excelência”.
Há uma estimativa que já foi comercializado no planeta milhões de exemplares entre a versão integral e o Novo Testamento. Mais de 500 milhões de livros isolados já foram comercializados. Afirmam ainda que a cada minuto 50 Bíblias são vendidas, perfazendo um total diário de aproximadamente 72 mil exemplares.
A origem da palavra Bíblia, remonta em um antigo termo grego, plural de “Biblion”, que é o diminutivo de “Biblos”, sendo este, neutro, que significa “livros”.
A Bíblia é um livro antigo. Os livros antigos eram feitos em forma de rolos, (Jr 36:2).Tais rolos eram feitos de papiro ou pergaminho.
“Bíblos”, portanto, era a entrecasca da planta do papiro, uma planta aquática que crescia e se desenvolvia às margens dos rios e lagos do Oriente, tendo também sua origem às margens do rio Nilo (África).
Ainda Hoje, podemos encontrar tal planta no Sudão, Galiléia Superior e no vale de Sarom. As tiras que eram retiradas do papiro eram sobrepostas umas as outras, até formarem um rolo.
Podemos observar este material gráfico primitivo, sendo citado diversas vezes na Bíblia, Ex.2:3; Jó 8:11 e Is.18:2. Em algumas versões da Bíblia, o papiro também é chamado de junco. Da palavra papiro deriva-se a nossa palavra papel.
Da casca dessa planta que atingia 2 a 4 metros, de altura, se faziam as folhas para os manuscritos que eram de 15 a 27 cm de comprimento.
Já o pergaminho, é a pele de animais cortida e polida, utilizada na escrita. Seu material é melhor que o papiro, e vem dos primórdios da era cristã, apesar de já ser conhecido antes. É citado na Bíblia em 2 Tim. 4:13.
Um rolo de papiro de tamanho pequeno era chamado biblion, e vários destes era uma bíblia. Portanto, literalmente, Bíblia quer dizer “coleção de livros pequenos”. Após a invenção do papel no século II pelos chineses, desapareceram os rolos, e bíblos deu origem a livro, como vemos em biblioteca, bibliografia, bibliófilo, etc.
O vocábulo Bíblia não se encontra no texto das sagradas escrituras. Consta apenas da capa, mas não no texto do volume. É consenso geral entre os doutos no assunto que o nome Bíblia foi primeiramente aplicado às Sagradas Escrituras por João Crisóstomo, patriarca de Constantinopla no séc. IV de nossa era.
Devido as Escrituras formarem uma unidade perfeita, o vocábulo Bíblia, sendo um plural, passou a ser singular, significando O Livro, isto é, O Livro dos Livros, O Livro por Excelência.
Sendo Livro Divino, temos, portanto, sua definição canônica, “A Revelação de DEUS à Humanidade”.
Os nomes mais comuns que a Bíblia dá a si mesma, ou seja, nomes canônicos, são:
Escrituras (Mt. 21:42); Sagradas Escrituras (Rm. 1:2); Livro Do Senhor (Is. 34:16); A Palavra de DEUS (Mc. 7:13; Hb. 4:12); Os Oráculos de DEUS (Rm. 3:2).
Na Bíblia encontramos duas divisões principais:
O Antigo e o Novo Testamento; sendo ao todo 66 livros. No Antigo Testamento temos 39 livros, e no Novo Testamento são 27 livros.
Escritos por cerca de 40 autores diferentes em um período aproximado de 16 séculos, sendo tais autores, pertencentes às mais variadas profissões e atividades, eles viveram e escreveram em países, continentes e regiões diferentes, distantes muitas vezes uns dos outros, em épocas e condições diferentes. No entanto, seus escritos possuem uma harmonia perfeita. Isto prova que Um só os dirigia no registro da revelação divina.
Estes textos foram copiados e recopiados de geração para geração em diversos idiomas, tais como: Hebraico, Aramaico e grego; até chegar a nós.
Verificou-se através do Método Textual, que 99% dos textos mantêm-se fiel aos originais, é certamente uma obra divina, levando em consideração os milhares de anos entre a escrita e nossos dias. As partes mais antigas das Escrituras encontradas são um pergaminho de Isaías em hebraico do segundo século a.C., descoberto em 1947 nas cavernas do Mar Morto e um pequeno papiro contendo parte do Livro de João 18:31-33,37,38 datados do segundo século d.C.
O vocábulo testamento tem sua origem no termo grego diatheke, e significa:
a) aliança ou concerto,
b) testamento, isto é, um documento contendo a última vontade de alguém quanto à distribuição de seus bens, após a morte. Esta é a palavra empregada no Novo Testamento, como por exemplo, em Lucas 22:20. No Antigo Testamento a palavra usada e berith que significa apenas concerto. O duplo sentido do termo grego mostra duas coisas: que a morte do testador (Cristo) ratificou ou selou a Nova Aliança, e, portanto nos garante toda a herança (Hb 9:15-17). O título "Antigo Testamento" foi primeiramente aplicado aos primeiros 39 livros da Bíblia por Tertuliano e Orígenes.
Na primeira divisão principal da Bíblia temos o Antigo Concerto (também chamado pacto, aliança), vindo pela Lei, feito no Sinai, e selado com sangue de animais (Ex 24:3-8; Hb 9:19,20). Na segunda divisão principal (O Novo Testamento) temos O Novo Concerto, vindo pelo Senhor Jesus Cristo, feito no Calvário e selado com O Seu próprio sangue (Lc 22:20; Hb 9:11­-15). É, pois, um concerto superior.
Como já dissemos, o Antigo Testamento contém 39 livros, e foi escrito originalmente em hebraico com exceção de pequenos trechos que estão em aramaico. O aramaico foi a língua que Israel trouxe do exílio babilônico. Há também algumas palavras persas. Seus 39 livros estão classificados em 4 grupos, conforme os assuntos a que pertencem: Lei, História, Poesia e Profecia. O grupo ou classe Poesia também é conhecido por Devocionais.
1. Lei: São 5 livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. São comumente chamados "O Pentateuco". Esses livros tratam da origem de todas as coisas, da Lei, e estabelecimento da nação israelita.
2. História: São 12 livros: de Josué a Ester. Ocupam-se da história de Israel nos seus vários períodos.
3. Poesia: São 5 livros; de Jó a Cantares de Salomão. São chamados “Poéticos”, não porque sejam cheios de imaginação e fantasia, mas devido ao gênero de seu conteúdo. São também chamados “Devocionais”.

4. Profecia: São 17 livros: de Isaías a Malaquias. Estão subdivididos em:
-Profetas Maiores: Isaías a Daniel (5 livros).
-Profetas Menores: Oséias a Malaquias (12 livros).
Os nomes Maiores e Menores não se referem ao mérito ou notoriedade do profeta, mas ao tamanho dos livros e extensão do ministério profético.
Assim o Antigo Testamento é composto de obras de autores diversos, como Moisés, que foi um príncipe e legislador; Josué, um general; Davi e Salomão, reis e poetas; Isaías, estadista e profeta; Daniel, primeiro-ministro; Zacarias e Jeremias, sacerdotes e profetas; Amós, homem do campo; e de variados assuntos como legendas e poesias heróicas dos tempos primitivos, história das origens do povo israelita e desenvolvimento histórico até à volta do exílio, poemas, obras de moral e ciência, profecias, cântico de arrependimento e de louvor a DEUS, leis civis, religiosas e morais, etc. Isso tudo reunido num só livro forma uma harmonia perfeita, incompreensível para a mente humana, mas claro para os que têm a mente de Cristo (I Cor. 2:16).
A classificação dos livros do Antigo Testamento, por assuntos, vem da versão Setuaginta, (tradução do Antigo Testamento do hebraico para o grego) através da Vulgata (tradução latina de Jerônimo), e não leva em conta a ordem cronológica dos mesmos.
Nas Bíblias de edição católico-romana, os livros de 1º e 2 º Samuel e 1º e 2º Crônicas são chamados 1º,2º,3º e 4º Reis respectivamente, 1º e 2º Reis são chamados de 1º e 2º Paralipômenos. Esdras e Neemias são chamados 1º e 2º Esdras. Também nas edições católicas de Matos Soares e Antônio Pereira de Figueiredo, o salmo 9 corresponde da versão de João Ferreira de Almeida aos salmos 9 e 10. O de número 10 é o nosso de número 11. Indo assim até os salmos 146 e 147, que nas nossas Bíblias é o de número 147. Sendo os três salmos finais, idênticos em qualquer das versões acima mencionadas. Tais diferenças de numeração em nada afetam o texto em si, e não poderia ser doutra forma, sendo a Bíblia o Livro do Senhor.
O Novo Testamento se compõe de 27 livros. Foi escrito não do grego clássico dos eruditos, mas no do povo comum chamado Koiné, exceto pelo livro de Hebreus, este escrito no grego erudito.
Seus 27 livros também se classificam em 4 grupos conforme o assunto a que pertencem: Biografia, História, Epístolas, e Profecia. O terceiro grupo também é chamado Doutrina.
1. Biografia: 4 Evangelhos. Descrevem a vida terrena Do Senhor Jesus Cristo e seu glorioso Ministério. Os três primeiros Evangelhos são chamados Sinópticos devido ao paralelismo que há entre eles. Os Evangelhos são os livros mais importantes da Bíblia. Todos os livros que os procedem tratam da preparação para a manifestação de Jesus Cristo, e os que lhe seguem são explicações da doutrina de Cristo.
2. História: É o livro de Atos dos Apóstolos. Registra a história da Igreja primitiva, seu viver, a propagação do Evangelho; tudo através do Espírito Santo, conforme Jesus prometera (At. 1:8).
3. Epístolas: São 21 as Epístolas ou cartas, e vão de Romanos a Judas. Elas contêm a doutrina da Igreja.
- 9 são dirigidas a igrejas (de Romanos a 2ª Tessalonicenses).
- 4 são dirigidas a indivíduos (duas a Timóteo, uma a Tito, e outra a Filemom).
- 1 é dirigida aos hebreus cristãos.
- 7 são dirigidas a todos, indistintamente (Tiago, 1ª e 2ª Pedro, 1ª, 2ª e 3ª João e Judas). Estas são também chamadas universais, católicas ou gerais, apesar de duas delas (2ª e 3ª João) serem dirigidas a pessoas.
4. Profecia: É o livro de Apocalipse ou Revelação. Trata da volta pessoal Do Senhor Jesus Cristo à terra e das coisa que precederão a esse glorioso evento.
Os livros do Novo Testamento também não estão situados em ordem cronológica.
Jesus Cristo é o tema central da Bíblia. Ele mesmo no-lo declara em Lc. 24:44 e Jo. 5:39.
Observando atentamente, podemos constatar que Jesus ocupa o lugar central das escrituras através de tipos, figuras, símbolos e profecias.
O Cristo de Gênesis a Apocalipse.
-Em Gênesis, Ele é o descendente da mulher;Em Êxodo, Ele é o cordeiro Pascoal;Em Levítico, Ele é o Sacrifício Expiatório;Em Números, Ele é a Rocha Ferida;Em Deuteronômio, Ele é o Profeta;Em Josué, Ele é o capitão dos Exércitos Do Senhor;Em Juízes, Ele é o Libertador;Em Rute, Ele é o Parente Divino;Em Reis e Crônicas, Ele é o Rei prometido;Em Ester, Ele é o Advogado;Em Jó, Ele é o Nosso Redentor que vive;Nos Salmos, Ele é o nosso socorro e alegria;Em Provérbios, Ele é a Sabedoria de DEUS;Em Cantares de Salomão, Ele é o nosso Amado;Em Eclesiastes, Ele é o Alvo Verdadeiro;Nos Profetas, Ele é o Messias prometido;Nos Evangelhos, Ele é o Salvador do mundo;Nos Atos, Ele é o Cristo ressurgido e poderoso;Nas Epístolas, Ele é a Cabeça da Igreja;No Apocalipse, Ele é o Alfa e o Ômega, e o Cristo que volta para reinar.
Sendo Jesus o centro da Bíblia, podemos resumir os 66 livros em 4 palavras referentes a Ele:
1. Preparação: Todo o Antigo Testamento. Ele trata da preparação para o Advento de Jesus Cristo.
2. Manifestação: Os Evangelhos. Eles tratam da encarnação, manifestação e vida de Jesus Cristo.
3. Explanação: São as Epístolas. Elas dão a explanação da doutrina de Cristo.
4. Consumação: O livro de Apocalipse. Ele trata da consumação de todas as coisas preditas, através de Cristo.(Dr. C.I. Scofield).
Inicialmente, os escritos que compõem a Bíblia não eram separados por capítulos e versículos, tal divisão somente veio a ocorrer em 1250 d.C. pelas mãos do cardeal Hugo de Saint-Cher, abade dominicano, que dela se serviu para a sua concordância com a Vulgata. As aplicações a essa concordância atribuíram lhe muito valor e estabeleceram a prática de citar os capítulos em vez de referir-se ao livro, ou a alguns fatos proeminentes nele contidos.
Alguns historiadores também atribuem essa divisão ao Professor Stephen Langton, no ano de 1227 d.C.
Já a divisão em versículos, ocorreu em duas etapas; o Antigo Testamento em 1445 pelo rabi Nathan e o Novo Testamento em 1551 por Robert Stevens, um impressor de Paris. Stevens publicou a primeira Bíblia dividida em capítulos e versículos em 1555, sendo esta a Vulgata Latina.
Em 1525, Jacob Ben Haim, na Bíblia Bomberg, em Veneza, também havia dividido a Bíblia (AT) em versículos.
A Bíblia foi o primeiro livro impresso no mundo, após a invenção do prelo, em 1454 em Mainz na Alemanha.
O Antigo Testamento possui 929 capítulos e 23214 versículos, e o Novo Testamento possui 260capítulos e 7959 versículos. Assim a Bíblia toda tem 1189 capítulos e 31173 versículos.
Se pudéssemos resumir a Bíblia toda em um único versículo, encontraríamos como verso de ouro ou versículo áureo no Evangelho de João no capítulo 3, versículo 16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
O dia da Bíblia é celebrado no segundo domingo de dezembro, o Dia da Bíblia foi criado em 1549, na Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer, que incluiu a data no livro de orações do Rei Eduardo VI.Este dia é um dia especial, e foi criado para que a população intercedesse em favor da leitura da Bíblia. No Brasil a data começou a ser celebrada em 1850, quando chegaram da Europa e EUA os primeiros missionários evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, no Monumento do Ipiranga, em São Paulo (SP). E, graças ao trabalho de divulgação das Escrituras Sagradas, desempenhado pela entidade, o Dia da Bíblia passou a ser comemorado não só no segundo domingo de dezembro, mas também ao longo de todas a semana que antecede a data. Desde dezembro de 2001, essa comemoração tão especial passou a integrar o calendário oficial do país, graças à Lei Federal 10.335, que instituiu a celebração do Dia da Bíblia em todo o território nacional.